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Tudo sobre o tratamento do ceratocone. Anel de Ferrara, Crosslink de córnea, Lente de contato e até Transplante de Córnea

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Corticóides - Efeitos Colaterais nos olhos

Os corticoesteróides são medicamentos antiinflamatórios potentes usados em diversas doenças como artrite reumatóide e outras doenças reumáticas, asma e outras doenças pulmonares, alergias, inflamações diversas, transplantes e após algumas cirurgias. Os corticóides mais usados na práticas médica são prednisona, prednisolona, hidrocortisona, dexametasona, metilprednisolona e beclometasona (via inalatória).
Em oftalmologia também são medicamentos muito usados em quadros como uveítes, em algumas conjuntivites e em pós operatórios. Em oftalmologia, os corticóides utilizados na forma de colírios são a prednisolona e a dexametasona.
Esses medicamentos são muito potentes e para certas doenças são a melhor e as vezes única opção de tratamento mas também apresentam muitos e importantes efeitos colaterais
No olho dois desses efeitos colaterais são muito importantes: catarata e glaucoma.

A catarata é uma doença que causa diminuição progressiva da visão e necessita de cirurgia para sua correção. Os corticóides podem causar um tipo de catarata chamada subcapsular posterior que é uma catarata de progressão rápida.
Tanto os corticóides usados por via oral, usados por via nasal (spray nasal para asma ou bronquite) ou como forma de colírios podem causar a catarata.

Olho com Catarata

O glaucoma é uma doença que apresenta aumento da pressão ocular e lesa o nervo óptico causando uma cegueira irreversível se a pressão não for tratada. O uso dos corticóides causa aumento da pressão ocular podendo levar ao glaucoma. Muitas vezes a pressão ocular volta ao normal após o paciente interromper o uso dos corticóides mas em raros casos a pressão ocular pode continuar elevada, necessitando o uso de alguns colírios específicos para abaixar e controlar a pressão ocular.
Da mesma forma que na catarata, todas as formas de administração dos corticóides (oral, spray nasal e colírios) podem aumentar a pressão ocular.

Vale ressaltar que só algumas pessoas vão apresentar esses efeitos colaterais e que esses efeitos dependem do tempo de uso e da dosagem usada. Quanto mais tempo usar, mais chance de desenvolver esses efeitos colaterais.

Caso você use corticoesteróides, não interrompa o uso sem antes conversar com seu médico. Mas converse com ele sobre esses possíveis efeitos colaterais (que ele logicamente sabe que existem) e veja se há outra medicação que possa ser usada.
E o mais importante: Não pratique automedicação. Diversos colírios usados popularmente contém corticóides e podem fazer mais mal do que bem.

Os corticoesteróides tem muitos outros efeitos colaterais sistêmicos (em outros órgãos que não o olho). Já disse que esses medicamentos quando usados por via oral ou spray nasal podem causar os efeitos colaterais no olho mas o contrário é muito difícil de acontecer. Ou seja, usar colírios de corticóides dificilmente causarão efeitos colaterais sistêmicos.

Para saber mais sobre o uso e os efeitos colaterais sistêmicos dos corticóides clique aqui 

Ceratocone. Diagnóstico e Tratamento

Ceratocone é uma doença dos olhos que acomete igualmente homens e mulheres, geralmente na adolescência ou inicio da fase adulta e de caráter progressivo. Via de regra acomete os dois olhos mas geralmente é mais avançado em um deles.



O que causa o ceratocone?
Não se sabe exatamente a causa do ceratocone. Em alguns casos há uma herança familiar mas em outros não. Muitos pacientes apresentam alergia ocular com coceira nos olhos importante e isso pode estar associado com o surgimento ou progressão da doença.
A alteração ocorre na córnea que ao invés de manter a sua forma original, arredondada, adquire uma forma cônica, pontiaguda (do radical grego cerato = córnea e cone = em forma de cone). Com isso, os raios luminosos que atingem o nosso olho sofrem uma refração errônea e irregular ocasionando uma visão distorcida e embaçada.
Os pacientes geralmente apresentam graus de miopia e astigmatismo, muitas vezes elevado e que sofre variações grandes em pouco tempo. Mesmo quando corrigida com óculos, o paciente não obtém uma visão satisfatória.

Como fazer o diagnóstico do ceratocone?

Um oftalmologista mais atento vai desconfiar desse diagnótico no exame de refração e no exame na lâmpada de fenda. Para a confirmação precisa do diagnóstico dois exames complementares são fundamentais: Topografia de córnea (ou ceratoscopia computadorizada) e paquimetria. O primeiro mede a curvatura da córnea e vai mostrar a região do cone. O segundo mede a espessura da córnea que normalmente é mais fina nesses pacientes.
Além desses dois exames, alguns outros, como pentacam, orbscan e OCT de segmento anterior podem ser utéis ao médico na decisão de qual tratamento fazer.

Ceratocone - Foto
Tratamento do Ceratocone: Qual o melhor?

Isso vai depender do grau do ceratocone. Como em toda doença existem estágios mais leves e mais avançados da doença e isso vai influenciar no tratamento.
Em principio, o principal dado para definir o tratamento é a visão da pessoa com ceratocone. As opções são:

1 – Óculos: como já dito antes, dificilmente proporciona uma visão 100% nítida para a maioria dos casos. Mas em alguns pacientes com ceratocone inicial ou leve, o uso de óculos pode ser uma boa opção.

2- Lente de Contato para Ceratocone (LC): é talvez a solução para a grande maioria dos casos de ceratocone. A LC rígida regulariza a superfície ocular (em outras palavras, deixa a curvatura da córnea mais regular) proporcionando uma qualidade de visão muito boa. Como é uma LC rígida, a adaptação, especialmente numa córnea com curvatura irregular, não é simples e deve ser feita por um oftalmologista experiente nesses casos. As LC gelatinosas NÃO proporcionam uma melhora significativa da visão nesses casos. Existem várias lentes de contato especificas para o ceratocone, inclusive juntado a qualidade óptica da lente rígida com o conforto da lente gelatinosa (lentes híbridas).
Só um bom oftalmologista com experiência em LC poderá indicar a lente ideal. Uma LC mal adaptada pode inclusive agravar um caso de ceratocone.
Se o paciente tiver força de vontade e paciência para suportar o período de adaptação, com o incomodo inerente à LC rígida, terá em mãos uma grande arma para melhorar sua acuidade visual. Com a grande vantagem de ser totalmente e facilmente reversível.

Leia mais sobre esse assunto, no artigo abaixo, aonde falamos mais detalhadamente sobre todos os tipos de lente de contato para ceratocone
http://www.medicodeolhos.com.br/2011/06/lente-de-contato-para-ceratocone-qual.html

3 – Cirurgias para ceratocone: existem diversas cirurgias para o ceratocone. Algumas com finalidade de melhorar a visão e outra com o objetivo de estagnar (freiar) a progressão da doença

Importante: O paciente com ceratocone (ou com suspeita de ceratocone)  NUNCA deve realizar a cirurgia refrativa a laser!

3.1 – Anel intraestromal (ou anel de Ferrara): Consiste na colocação de uma estrutura rígida (um arco) de acrílico no meio da espessura corneana alterando a curvatura da córnea e reduzindo o ceratocone. É uma cirurgia feita em centro cirúrgico por oftalmologista habilitado e sob anestesia local. É reversível e ajustável e pode ser associado com outras opções de cirurgia ou com lente de contato.
Alguns pacientes melhoraram tanto a visão a ponto de nem precisar de óculos depois. A grande maioria obtém uma boa melhora, mas ainda precisará usar óculos ou lente de contato após a cirurgia.
Veja um vídeo com a cirurgia de anel de ferrara para ceratocone, clicando aqui 


3.2 – Ressecção em cunha: Pouco utilizada, poucos médicos estão familiarizados com a técnica e poucos pacientes tem indicação de faze-la.
Retira-se uma parte da córnea, suturando o restante, reduzindo a curvatura e consequentemente o ceratocone.

3.3 – Transplante de Córnea: é a grande cirurgia e a melhor opção para o paciente com ceratocone avançado.


Um transplante de córnea não tem as complicações de outros transplantes de órgãos como o fígado, o coração ou o rim. Tão pouco necessita do uso de imunossupressores sistêmicos evitando assim os indesejáveis e graves efeitos colaterais desses medicamentos.
Em alguns estados do Brasil a fila para o transplante de córnea é quase zero.
Em resumo, retira-se a córnea do paciente (receptor) e coloca-se a córnea doada, suturando-a com 16 pontos em média. O paciente usará colírios por um longo prazo (variando de 1 a 6 meses) e se necessário os pontos serão retirados no ambulatório depois de alguns meses (esses pontos não incomodam e nem sempre precisam ser retirados, podendo o paciente permanecer com eles por muito tempo).

A recuperação não é imediata mas com alguns dias já e possível constatar uma boa melhora da visão.
Grandes estudos nacionais e internacionais mostraram uma melhora significativa do quadro com uma boa segurança e estabilidade da visão à longo prazo.
Uma variação mais nova do transplante de córnea é o transplante lamelar de córnea. Nessa técnica, retira-se somente parte da córnea do paciente e coloca-se a córnea doada. Com isso torna-se a cirurgia mais segura e reduz-se a chance de rejeição. Para o ceratocone é uma ótima opção.
Leia mais sobre o transplante de córnea, clicando aqui

3.4 – Crosslinking (CXL)

É a única opção cirúrgica que visa estabilizar a doença, ou seja, evitar que o ceratocone evolua e piore cada vez mais a visão do paciente.
Um feixe de luz ultravioleta e uma solução contendo riboflavina, fortalecem as fibras de colágeno da córnea, enrijecendo-a e impedindo que ela continue a sofrer as deformações típicas do ceratocone. Em outras palavras, torna a córnea mais forte, mais rígida.
Como o ceratocone é uma doença progressiva, o quanto antes conseguirmos estabilizar o quadro melhor.
Alguns pacientes até percebem uma melhora da acuidade visual mas precisa ficar claro que o objetivo da cirurgia de crosslink é evitar que a doença avance, piore.
Já há alguns centros no Brasil realizando este procedimento de crosslinking de córnea e na opinião de muitos especialistas na área (inclusive eu) essa técnica pode revolucionar o tratamento do ceratocone, evitando que muitos casos se agravem e necessitem de um transplante de córnea.

Ceratocone e Síndrome de Down: Há uma associação entre o ceratocone e a síndrome de down (trissomia do cromossomo 21). Os pacientes com Down tem uma maior chance de desenvolver o ceratocone e o tratamento (uso de lentes de contato a cirurgias) pode ser mais complicado nesses pacientes.

O CID 10 (código internacional de doenças) do ceratocone é H18.6

Para saber mais sobre o Crosslinking de Córnea, leia esse texto sobre esse novo tratamento para o Ceratocone:
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/05/crosslinking-de-cornea-para-ceratocone.html

Sobre Anel de Ferrara, informe-se lendo o texto abaixo
http://www.medicodeolhos.com.br/2011/06/anel-de-ferrara-para-ceratocone.html


Você tem coceira nos olhos? Tá com medo de desenvolver ou aumentar o ceratocone? 
Então leia esse texto e previna-se
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/09/coceira-nos-olhos-alergia-ocular.html


Quer saber mais sobre lente de contato?
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/04/lentes-de-contato-tipos-modos-de-usar-e.html

Caso Neymar: Sangramento no olho

O jogador do Santos, Neymar, teve um sangramento ocular após um trauma durante o jogo contra o Santo André na final do campeonato paulista.

Para quem viu a imagem pela televisão pareceu um lance comum, um trauma leve que acontece com certa frequência no futebol.
Mas o Neymar, infelizmente, teve um sangramento nos vasos sanguíneos da íris (a região colorida do olho).

A íris é um músculo e por isso tem muitos vasos sanguíneos. Quando um deles rompe fica sangue retido dentro da camara anterior do globo ocular. Essa condição é chamada de HIFEMA.
O sangue dentro do olho atrapalha a visão pois dificulta a passagem da luz. Mas em algumas horas esse sangue deposita na parte inferior do olho e a visão clareia. Por isso quando o Neymar chegou ao hospital a visão já estava boa. Esse sangue leva alguns poucos dias para ser totalmente reabsorvido.

O que justifica os médicos não terem liberado o jogador para retornar logo ao futebol é a possibilidade de haver um novo sangramento.
Além disso, o hifema pode causar um aumento da pressão ocular (glaucoma) ou impregnar ("manchar") a córnea e prejudicar a visão. Mas isso só ocorre em sangramentos grandes ou repetidos.
O hifema não ocorre só após traumas. Pode ocorrer também após cirurgias ou em decorrências de tumores ou inflamações oculares.

Os mais antigos vão lembrar o caso do Tostão que acabou por abreviar sua carreira de jogador. O que o Tostão teve foi um descolamento de retina, condição bem mais grave do que a do Neymar. Não há qualquer possibilidade do Neymar ter um prejuizo definitivo da visão e isso atrapalhar sua carreira. A não ser que ocorra outros sangramentos.
Essas duas doenças (hifema e descolamento de retina) podem ocorrer após traumas oculares mesmo que leves e devem ser motivos de precaução para qualquer atleta, seja profissional ou não. Alguns esportes como boxe ou outra lutas estão sob maior risco.
Mas agora o Dunga vai ter uma boa desculpa para deixa-lo fora da lista da Copa do Mundo. Infelizmente...